Meteorologia

  • 11 ABRIL 2021
Tempo
--º
MIN --º MÁX --º

Edição

'Entregamos nossas promessas', diz presidente demitido da Petrobras ao anunciar lucro de R$ 7,1 bilhões

O lucro ficou bem acima das estimativas do mercado

'Entregamos nossas promessas', diz presidente demitido da Petrobras ao anunciar lucro de R$ 7,1 bilhões
Notícias ao Minuto Brasil

05:44 - 25/02/21 por Folhapress

Economia Balanço

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petrobras reverteu no quarto trimestre de 2020 os prejuízos recordes provocados pela pandemia e fechou 2020 com lucro de R$ 7,1 bilhões. O resultado foi provocado pela reversão de perdas contábeis no valor de ativos e por ganhos cambiais, que levaram o lucro do quarto trimestre a R$ 59,9 bilhões.

O balanço foi divulgado nesta quarta (24), em meio à crise provocada pela nomeação do general Joaquim Silva e Luna para substituir, no comando da empresa, o economista Roberto Castello Branco, primeiro presidente da estatal sob o governo Jair Bolsonaro.

"Em meio à severa recessão global e aos efeitos de um grande choque na indústria de petróleo, nós prometemos estruturar uma recuperação em 'J'. A meta era sair da crise melhor que antes", afirmou Castello Branco. "Nós entregamos nossas promessas."

O lucro ficou 82,3% abaixo do recorde de R$ 40,1 bilhões registrado em 2019, primeiro ano de Castello Branco à frente da companhia. Mas ficou bem acima das estimativas do mercado que previam que a companhia fechasse o quarto trimestre com lucro de R$ 9,9 bilhões, o que representaria um prejuízo anual de cerca de R$ 43 bilhões.

No segundo trimestre de 2020, logo após o início da pandemia, a empresa anunciou uma série de revisões no valor de seus ativos, para adequar a expectativa de receita ao novo cenário de preços do petróleo, que levaram a prejuízo de R$ 48,5 bilhões.

Em três trimestres seguidos de prejuízo em 2020, a companhia acumulou perdas de R$ 52,8 bilhões. No quarto trimestre, diz a companhia, o lucro foi obtido com a reversão de perdas contábeis em ativos no valor de R$ 31 bilhões, ganhos cambiais de R$ 20 bilhões e reversão de gastos passados do plano de saúde de seus empregados em R$ 13,1 bilhões.

No resultado anual, a queda no lucro é explicada pela companhia com a queda de 35% do preço do Brent em dólares, pela revisão no valor de ativos, menores ganhos com desinvestimentos e desvalorização de 31% do real em relação ao dólar americano.

No ano, a receita da Petrobras caiu 10%, em comparação com 2019, para R$ 272 bilhões. O Ebitda, indicador que mede a capacidade de geração de caixa de uma companhia, subiu 10,6%%, para R$ 143 bilhões.

Apesar da pandemia, a empresa conseguiu manter clientes para o petróleo do pré-sal e, principalmente, de combustível de navegação mesmo nos momentos mais duros da pandemia, fechando o ano com a produção média recorde de 2,84 milhões de barris de óleo e gás por dia.

Na terça (23), em sua primeira reunião após anúncio de que o governo quer trocar o comando da companhia, o conselho de administração da Petrobras aprovou a convocação de assembleia de acionistas para votar a substituição na presidência da companhia.

A aprovação, porém, não foi unânime. Dos 11 membros do colegiado, 3 votaram contra a convocação. Do restante, apenas 6 votaram a favor. Castello Branco não votou, e o conselheiro Nívio Ziviani não participou da reunião por razões de saúde.

Em nota distribuída após a assembleia, o conselho deu um recado contra tentativas de interferência do governo: afirmou que continuará a zelar com rigor pelos padrões de governança da Petrobras, "inclusive no que diz respeito às políticas de preços de produtos da companhia".

A forma atabalhoada com que Bolsonaro anunciou a mudança e as críticas à gestão da empresa e sua política de preços derrubaram o valor de mercado da companhia em R$ 102,5 bilhões em apenas dois dias.

Os efeitos se espalharam por outros indicadores da economia, em um sinal de que a intervenção foi um duro golpe na confiança do investidor estrangeiro e provocou novas dúvidas sobre o tamanho do poder que o ministro da Economia, Paulo Guedes ainda exerce sobre a política econômica do Brasil.

Campo obrigatório