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Falta de bolsas de sangue faz estudante criar 'Tinder da doação' em SC

O estudante Brayon Pieske criou um aplicativo para ajudar quem precisa de doação de sangue

Falta de bolsas de sangue faz estudante criar 'Tinder da doação' em SC
Notícias ao Minuto Brasil

14:30 - 22/07/19 por Folhapress

Tech Saúde

FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) - A insuficiência no estoque dos bancos de sangue do interior de Santa Catarina despertou no estudante de marketing Brayon Pieske, 25, a ideia de buscar alternativas para tentar salvar vidas na região. A solução dele foi a criação de um aplicativo para celular.

"Eu tive a ideia quando ouvi em um programa de rádio que é muito chato você precisar de ajuda e ter que ficar desesperado atrás de divulgação para conseguir doadores", afirma ele, que mora em Rodeio, a 200 km de Florianópolis.A inspiração, diz, veio do Tinder, aplicativo de paquera. O aplicativo PiuPiu Life pretende ajudar a encontrar doadores próximo ao local de quem precisa.

"Decidi fazer algo bem simples e rápido para achar os doadores de imediato. Se a pessoa está numa emergência no hospital, ela abre o aplicativo, seleciona o tipo sanguíneo e encontra o doador", diz. Para usar o aplicativo, é necessário se cadastrar com email e senha.

Segundo o Ministério da Saúde, apenas 1,6% dos brasileiros são doadores de sangue. Três em cada dez doações são de reposição, ou seja, a pessoa doa especificamente para atender um chamado de um familiar, amigo ou conhecido. 

Na primeira semana em que o aplicativo foi disponibilizado na Google Play Store, no começo deste mês, mais de 400 pessoas realizaram o cadastro após baixarem o programa, segundo os cálculos de Pieske.O próximo passo é ver uma forma de conectar quem precisa de doação com a localização de hospitais e pontos de coleta. O serviço também será disponibilizado, de forma gratuita, para os celulares que utilizam o sistema iOS.

Sem patrocínio, Pieske criou uma campanha de financiamento coletivo e conseguiu arrecadar mais de R$ 2.600 até agora.

"Eu quero que ele esteja disponível em diversos países porque a internet não tem fronteiras. Se tu está viajando para um lugar desconhecido, não tem conhecidos. Com o aplicativo, vai conseguir achar doadores que estão perto de ti."

Essa é a terceira criação do jovem, que não é programador. Ele aprendeu a desenvolver aplicativos e criação de programas digitais de forma autodidata. 

Aos 17, Pieske criou na escola com colegas um sistema sonoro para servir de alarme em casos de enchente. O projeto foi premiado pelo governo catarinense, que cogitou aplicar investir no sistema e oferecer para outros estados. 

Anos depois, criou um aplicativo de troca de mensagens chamado PiuPiu, mas não se encorajou em buscar patrocínio para a ideia por entender que já existia muita concorrência no setor. O terceiro aplicativo, para doação de sangue, juntou elementos das experiências anteriores ao unir a preocupação com a comunidade e a comunicação entre pessoas, por isso recebeu o nome de PiuPiu Life. 

Se a campanha de financiamento coletivo viabilizar a ampliação do aplicativo, Pieske pretende realizar parceria com o poder público para estimular a doação em áreas mais necessitadas. 

"Vamos supor que uma região do país esteja precisando muito de doação. Eu enviaria uma notificação para quem está a um raio de 100 quilômetros daquela região e todas as pessoas que estão por perto recebem no celular um alerta informando a sua região precisa de sangue com o endereço do hemocentro próximo. Isso melhoraria muito as doações."

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