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Entenda o que fez do Brasil a "casa ideal" para o Aedes Aegypti

A urbanização precária das cidades e do clima tropical fazem com que o país seja perfeito para a propagação do mosquito

Entenda o que fez do Brasil a "casa ideal" 
para o Aedes Aegypti
Notícias ao Minuto Brasil

07:00 - 15/12/15 por Notícias Ao Minuto

Brasil Dengue

Em 2015, foram cerca de

1,5 milhão de casos de dengue notificados no Brasil, um

recorde histórico. Além disso, segundo o UOL, a

estimativa é

de que entre

500 mil e 1,5 milhão

de pessoas possam ter sido infectadas por

zika. Isso levanta a pergunta: o que fez com que o país chegasse a esse ponto?

A reportagem tentou responder essa questão ao conversar com integrantes de sociedades médicas e de professores. Para eles,

houve

descaso do poder público e, também,

falhas no combate ao mosquito. No entanto, o Brasil é a "casa ideal" para o

Aedes Aegypti

por conta da urbanização precária das cidades e do clima tropical.

"O mosquito vive muito bem próximo ao ser humano, e como a maioria das pessoas mora de forma inadequada, sobrevivendo em grandes cidades com desigualdades sociais e alta densidade, produzindo muito lixo, facilita a manutenção dos focos. A urbanização desordenada é um fator determinante", explica a professora titular de doenças infecciosas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Vera Magalhães.

Ela ressalta que

"O poder público tem que traçar politicas públicas no sentido de tentar melhorar a qualidade de vida da população, como coletar o lixo em todas as áreas. O saneamento é fundamental. Estamos passando agora por um racionamento de água nas cidades do interior [de

Pernambuco], principalmente a população de baixa renda não tem recipientes adequados, mas precisa acumular água. Isso tudo facilita a manutenção dos focos". Ou seja, a medida de caçar o mosquito serve apenas como caráter

emergencial, sendo preciso focar nas ações de longo prazo.

Artur

Timerman,

presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e

Arbovirose

e integrante do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos,

concorda que, caso não haja mudança na concepção das cidades, não existem maneiras de

eliminar o mosquito.

"Nossa urbanização caótica sempre deu as melhores condições de vida para o mosquito, não para os seres humanos. Ou nós discutimos a urbanização que vivemos, ou vamos viver com o

Aedes, aprender a usar repelentes, usar roupas compridas em meio a 50º C. Ou então precisaremos conseguir ser mais eficaz no desenvolvimento de vacinas. São discussões que devem

ser postas na mesa".

Sobre a "caça ao mosquito", ele é da seguinte opinião: "É importante? É! Mas é apagar incêndio jogando copo d'água. Todos já sabem, viram em propaganda de que não deve deixar recipiente aberto, virado não deve deixar água. Mas se não mudarmos nosso planejamento urbano, vamos cuidar da nossa casa, mas o que vamos nos deparar na rua? Com nossa urbanização, com muitos desses lugares com uma impermeabilização enorme, o mosquito vai ficar".

Outra especialista consultada pela reportagem analisa os motivos pelo qual 2015 foi o ano em que a epidemia se propagou. A

coordenadora do comitê de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Nancy

Bellei, diz que

"A primeira questão é: se podemos fazer ações de intervenção em plano ministerial de programas epidemiológicos, que acreditam que têm efetividade, porque não fizemos antes? Nada disso que está posto agora [no novo plano de combate ao mosquito] é novo. Por que teve que chegar em uma situação crítica? Claro que houve falha. Podia não ter a microcefalia, mas já havia morte pela dengue. Se tivesse feito a ação, teríamos menos pacientes com dengue. Se tinha Exército, se tinha agentes, porque não fizemos esse combate?".

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