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EUA têm dúvidas sobre formato de acordo com Brasil, afirma chanceler

Os EUA não sabem se é mais vantajoso negociar com o país individualmente ou dentro do bloco do Mercosul

EUA têm dúvidas sobre formato de acordo com Brasil, afirma chanceler
Notícias ao Minuto Brasil

06:10 - 13/09/19 por Folhapress

Economia Comércio

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Após reunião de uma hora nesta quinta-feira (12) na sede do USTR, representante para o comércio internacional dos Estados Unidos, o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) disse que o governo Donald Trump ainda tem dúvidas sobre o formato do acordo comercial que pretende firmar com o Brasil.

Segundo o chanceler, os EUA não sabem se é mais vantajoso negociar com o país individualmente ou dentro do bloco do Mercosul e que, até esse escopo ser definido, medidas de facilitação de comércio -que não envolvem necessariamente tarifas- serão anunciadas.

"Reafirmamos nossa convicção de que queremos ter uma negociação e o formato, o próprio EUA têm às vezes dúvidas sobre se é melhor negociar como união aduaneira ou como países individuais. Isso não está fechado", afirmou Araújo após encontro com Robert Lighthizer, que comanda o USTR.

O governo brasileiro avalia que, se envolver tarifas, o acordo com os americanos precisa ocorrer em conjunto com o Mercosul, já que o Brasil faz parte da união aduaneira. Araújo afirmou que o país seguirá as regras, mas que o bloco sul-americano já indicou que poderá flexibilizá-las conforme cada caso.

"Queremos algum tipo de acordo onde tenha o Brasil. Se for Mercosul, de toda forma será, em parte, o Brasil. No momento, continuamos com a regra do Mercosul, de negociação em conjunto, mas também uma regra que, dentro do próprio Mercosul se falou que pode ser flexibilizada."

Horas depois das reuniões com os integrantes do governo americano, Araújo conversou novamente com jornalistas e disse que se está "muito próximo de entregar os termos de um acordo robusto". Ponderou, porém, que a redução de tarifas, por exemplo, depende tratativas comerciais mais amplas entre os dois países.

"Nosso plano, e acho que o deles [EUA] também, é ter instrumentos para falar de tarifas também, isso teria acho que esperar o enquadramento de um acordo mais amplo", disse o chanceler.

Conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo, o acordo comercial entre Brasil e EUA não vai incluir a eliminação total das tarifas e a viagem da comitiva brasileira a Washington nesta semana serviu para, entre outros temas, discutir medidas de facilitação de negócios, movimento considerado um passo anterior à abertura formal das negociações de um acordo comercial mais abrangentes entre os países.

A avaliação é que a boa sinergia entre Jair Bolsonaro e Trump não será suficiente para romper barreiras históricas.

O ministro admitiu que há temas "contenciosos" na relação comercial dos países -depois disse que essa não seria a melhor palavra para definir o cenário. Citou como exemplo o caso do aço e da carne, e afirmou que a dificuldade de se fechar o escopo do acordo de comércio se reflete na "complexidade das duas economias."

"Vamos dizer que a gente ainda não resolveu o aço, por exemplo. Onde nós estamos tentando ter mais acesso pro Brasil, já temos algum aí, foi conseguido, como a exceção às restrições americanas, queremos ter mais acesso. Nós ainda estamos com a expectativa do acesso à carne. Desde a visita presidencial aqui [Washington, em março] já acordamos que haveria a retomada do processo para a liberação da carne brasileira, ainda não está completo. Então estamos com a expectativa de completar isso."

"Alguns temas específicos, por setores específicos, como o aço, a carne, do nosso interesse, e coisas do interesse deles, e um pouco mais adiante um acordo mais amplo falando de tarifas, mais ou menos pode tomar essa forma", completou no fim do dia.

Uma das propostas do Brasil é a suspensão de tarifas sobre produtos finalizados nos EUA cujo insumo é fornecido pelo mercado brasileiro, como é o caso do aço. A mesma regra valeria no sentido contrário -dos americanos para o território brasileiro-, com expectativa de expansão para setores da indústria de autopeças e aviação.

Ainda sem a liberação do Congresso ao USTR para dar início oficial às tratativas de um acordo -como é norma nos EUA- Araújo reforçou a possibilidade "de várias coisas serem feitas sem a necessidade dessa comunicação [do Legislativo ao órgão de comércio]."

Entre as propostas encaminhadas entre Brasil e EUA até agora está a criação de um sistema que facilitaria a entrada de mercadorias de empresas pré-aprovadas por ambos os países -cujo governo brasileiro espera fechar até o final do ano. Na mesma época, o governo Bolsonaro deve também implementar uma cota para importação de trigo -demanda antiga dos americanos.

A expectativa da comitiva brasileira era definir uma data da visita de Trump ao Brasil justamente para anunciar oficialmente o início das tratativas. Araújo disse que a agenda ainda não foi marcada, mas confirmou a ideia de levar o americano ao Brasil para novos anúncios.

"Isso é uma das coisas que eu pretendo vir falar com o secretário de Estado, Mike Pompeo, amanhã [sexta]. E isso, claro, seria um momento interessante para novos anúncios aí." Araújo também se encontrou nesta quarta com Wilbur Ross, secretário de comércio americano.

Na sexta, reúne-se com Pompeo no Departamento de Estado.

DISCURSO GENERALISTA

Ernesto Araújo participou ainda de um encontro com empresários e investidores americanos, mas fez um discurso generalista, sem detalhar nenhuma medida sobre o possível acordo comercial.

Segundo relatos, Araújo não apresentou nada de concreto, ancorou-se na ideia de que a comitiva brasileira tem acesso à Casa Branca porque foi recebida por Trump há duas semanas, e disse que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente brasileiro, será um bom embaixador em Washington -o nome do deputado, porém, não foi enviado oficialmente ao Senado pois o Planalto teme ainda não ter votos para aprová-lo.

O chanceler repetiu as teses sobre abertura de mercado e liberalismo econômico e as afinidades que vê entre Brasil e EUA. Mas não avançou nas agendas.

Respondeu de maneira geral a perguntas sobre como o status de aliado extra-Otan adquirido pelo Brasil poderia impactar nas relações comerciais, por exemplo, e disse que quer buscar alternativas de ajuda do setor privado para o desenvolvimento sustentável na Amazônia -a floresta atingiu níveis recorde de queimadas e desmatamento este ano.

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