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Internet via satélites de baixa órbita ganha espaço, e concorrência aumenta

A gateway (estação terrestre) é parte do sistema Latino-Americano da OneWeb, para oferecer uma experiência de banda larga com comunicações de baixa latência e alta segurança para instituições governamentais, indústrias de defesa, petróleo e gás e aviação.

Internet via satélites de baixa órbita ganha espaço, e concorrência aumenta
Notícias ao Minuto Brasil

14:30 - 25/06/23 por Folhapress

Economia INTERNET-SATÉLITE

DOUGLAS GAVRAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em março, foi inaugurado em Maricá (151 km do Rio de Janeiro) um teleporto para satélites, da empresa Telespazio Brasil. A infraestrutura hospeda a base de satélites de baixa órbita da britânica OneWeb, que deve elevar a concorrência no país.

A gateway (estação terrestre) é parte do sistema Latino-Americano da OneWeb, para oferecer uma experiência de banda larga com comunicações de baixa latência e alta segurança para instituições governamentais, indústrias de defesa, petróleo e gás e aviação.

"A conclusão de nossa constelação e cobertura global neste ano é um marco significativo para nossos negócios e para o Brasil", disse um representante da empresa na época.

A OneWeb usa uma tecnologia similar à da Starlink, braço da SpaceX, de Elon Musk, que também opera com satélites de OTB. Esses provedores são considerados opções ideais para regiões de difícil acesso.

Na OTB, os satélites se encontram a uma altitude de 500 a 1.500 km da Terra, segundo a Abrasat (Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélite). Os satélites são não estacionários em relação à Terra e têm um tempo médio de vida de 7 a 10 anos.

Mas, ao contrário da Starlink, o serviço da OneWeb não será ofertado diretamente ao consumidor. A estratégia será vender capacidade para empresas de telefonia celular e outros serviços que, por sua vez, a usarão para expandir e melhorar suas redes, segundo antecipou a empresa.

"Ao contrário de outros provedores que vendem diretamente aos consumidores, trabalhamos com parceiros locais, como provedores de telecomunicações e provedores de serviços de internet e governos locais, que estão em melhor posição para fornecer conectividade de alta velocidade e baixa latência da OneWeb ao mercado local."

Latência é o tempo mínimo de resposta entre um aparelho e os servidores de internet –é importante para atividades que demandam precisão, mas nem tanto para ações corriqueiras.
Em julho de 2022, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) autorizou que a constelação de satélites de OTB (órbita terrestre baixa) da OneWeb possa ser explorada no Brasil, pelo prazo de 15 anos. A empresa tem até julho de 2024 para colocar seu sistema em atividade.

A empresa disse ter a expectativa de prestar serviços a milhares de negócios no país. "Essa licença também permitirá que a OneWeb apoie os esforços do governo brasileiro para estender a infraestrutura digital em todo o país", sinalizou a operadora, há um ano.

A empresa prevê que a cobertura estará disponível para o centro-sul do Brasil no fim do terceiro trimestre.
Segundo o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, a agência foi informada do licenciamento de sistemas e de estações e a entrada da empresa vai ser um ganho para o mercado nacional.
"Sobretudo nas regiões sem acesso às redes de fibra óptica, o satélite é imbatível. Para nós, quanto maior a oferta, melhor."
Com a constelação de satélites concluída, mais os gateways no Brasil –há outra porta de entrada prevista para ser instalada em Petrolina (PE) até o fim de 2023– e as aprovações regulatórias da Anatel, a oferta de serviços deve aumentar em breve.

CONSTELAÇÕES DE SATÉLITES SE ESPALHAM
Quando o acesso à internet de alta velocidade começou a se espalhar por meio de constelações de satélites de OTB, cerca de oito anos atrás, os analistas esperavam que apenas duas ou três empresas tivessem sucesso.

Atualmente, pelo menos oito delas estão competindo para lançar ou completar suas constelações, incluindo os primeiros participantes, SpaceX (de Elon Musk) e OneWeb. A Amazon planeja lançar mais de 3.200 satélites como parte de seu projeto Kuiper.

De acordo com o Financial Times, a necessidade de ganhar escala para competir com as rivais foi um dos motivos para a OneWeb e o grupo de satélites francês Eutelsat entrarem em um processo de fusão no ano passado.

Segundo o jornal britânico, as receitas de assinantes da Starlink, excluindo as vendas de terminais, foram de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 4,8 bilhões) no ano passado. Em projeções otimistas, a receita dobra a cada ano. A OneWeb prevê faturamento de EUR 600 milhões (R$ 3,2 bilhões) até 2025.

Os governos também devem entrar nessa corrida. A China planeja lançar 13 mil satélites pela constelação GuoWang, enquanto a startup alemã Rivada colocará cerca de 600.
Isso se somará ao projeto Iris da União Europeia (170 satélites) e aos 300 a 500 satélites que a Agência de Desenvolvimento Espacial dos EUA planeja lançar.

Enquanto cerca de 120 satélites foram lançados em todo o ano de 2012, apenas nos dois primeiros meses deste ano quase 380 foram colocados em órbita.

O número total de satélites OTB deve aumentar para cerca de 24.500 na próxima década, de acordo com as previsões da empresa especializada Euroconsult.
A operadora de OTB SpaceX foi autorizada a implantar 7.500 de sua constelação de 30 mil de segunda geração.
A OneWeb tem intenção de completar sua constelação de 650 satélites.
O chefe do projeto Kuiper da Amazon, Dave Limp, planeja ter mais da metade de sua constelação pronta em meados de 2026.Satélites de órbita terrestre baixa
O que é OTB?
Trata-se de uma órbita em que os satélites se encontram a uma altitude de 500 a 1.500 km da Terra com período de revolução 1h30m - 2h. Os satélites são não estacionários em relação à Terra e têm um tempo médio de vida de 7 a 10 anos
Quais são as vantagens?
Estes satélites, menores e mais baratos do que os tradicionais satélites de telecomunicações, permitem comunicações de baixa latência, ou seja, com um atraso de transmissão reduzido, destaca um especialista do setor
E as desvantagens?
As máquinas são mais vulneráveis do que as geoestacionárias, com uma vida útil mais curta, como demonstrado pela perda de dezenas de Starlinks após uma tempestade magnética no ano passado

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