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Promotor da Lava Jato peruana pede prisão preventiva de Keiko Fujimori

O promotor quer que uma nova prisão preventiva seja determinada à candidata à Presidência do Peru

Promotor da Lava Jato peruana pede prisão preventiva de Keiko Fujimori
Notícias ao Minuto Brasil

21:30 - 10/06/21 por Folhapress

Mundo Peru

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O promotor José Domingo Pérez, que trabalha na equipe da Lava Jato peruana, solicitou ao juiz Víctor Zúñiga Urday a revogação da medida que concede liberdade provisória para Keiko Fujimori. Agora, o promotor quer que uma nova prisão preventiva seja determinada à candidata à Presidência do Peru.

Keiko, que busca na Justiça reverter a pequena diferença pela qual vem sendo derrotada na disputa com o esquerdista Pedro Castillo, é acusada de lavagem de dinheiro e de ter recebido caixa dois e suborno em suas campanhas eleitorais. Ela ficou presa por mais de um ano enquanto a investigação se desenrolava.

Pérez diz que fez o pedido porque Keiko "não cumpre a restrição determinada de não se comunicar com testemunhas de seu processo". O promotor afirma que há evidências "públicas e notórias" de contatos com o deputado Miguel Torres Morales, também acusado e com quem Keiko estava proibida de falar.

O revés chega no momento em que a contagem de votos se aproxima do fim. Com mais de 99,99% das urnas apuradas, Castillo ostenta 50,20% da preferência da população peruana, contra 49,79% de Keiko.

Na tarde de quarta-feira (9), a candidata fez um novo pronunciamento no qual apontou supostas irregularidades cometidas por apoiadores de Castillo, o que, para ela, constituiria "fraude sistemática". Ela também apresentou pedidos de impugnação de diversas atas de votação ao Júri Nacional de Eleições.

Quando apareceu à frente de Castillo nos primeiros relatórios divulgados pela Onpe, o órgão eleitoral peruano, com quase seis pontos percentuais de vantagem, Keiko reagiu com moderação e pediu prudência a seus eleitores, afirmando que não havia vencedores ou derrotados na eleição e defendendo a unidade dos peruanos.

Ainda no domingo (13), durante o café da manhã com eleitores -uma tradição dos candidatos presidenciais no dia da votação-, disse que aceitaria os resultados e assumiu o compromisso de respeitar a vontade popular. "Será a decisão que o nosso país definir, se tenho que servir como presidente ou uma simples cidadã."

O discurso de Keiko, no entanto, foi mudando de tom conforme a apuração avançava e Castillo assumia a liderança. A candidata acusou a existência de fraude e foi contrariada por observadores internacionais.

Já Castillo vem se declarando vencedor desde terça-feira (8), embora os órgãos eleitorais não tenham feito nenhum pronunciamento oficial confirmando o resultado. De acordo com os números oficiais, só duas das mais de 86 mil atas -uma espécie de resumo da votação em uma determinada seção- ainda não foram apuradas. O esquerdista tem pouco mais de 70 mil votos à frente da adversária.

A pesquisa de boca de urna do Instituto Ipsos, divulgada logo após o fim da votação, no domingo, dava vitória à direitista -50,3% dos votos contra 49,7% de Castillo. Mais tarde, porém, uma contagem rápida feita pelo mesmo instituto apontou resultado inverso, com 50,2% para o professor de escolas rurais e 49,8% para a ex-congressista.

Se a vitória de Castillo se concretizar, ele será o primeiro presidente peruano sem vínculos com as elites políticas, econômicas e culturais. Sindicalista e professor do ensino médio, ficou conhecido ao liderar greves de docentes, a mais famosa delas em 2017. Castillo defende maiores salários aos empregados do setor da educação, tem um discurso anticorrupção e propõe dissolver o Tribunal Constitucional e a Constituição de 1993 -segundo ele, os responsáveis por permitir práticas irregulares.

Um sucesso dele representa, também, a terceira derrota de Keiko nas urnas -ela já foi candidata em 2011 e em 2016, perdendo ambas as vezes no segundo turno. Como consequência, a política, que assumiu há 15 anos a tarefa de reconstruir quase das cinzas o movimento político de direita fundado por seu pai, o líder autocrata Alberto Fujimori, em 1990, teria que ir a julgamento sob risco de acabar na prisão.

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