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Google Earth passa a mostrar desmatamento na Amazônia até 2022

A atualização com dados desde 2020 possibilita acompanhar o avanço da destruição da floresta, que teve índices recordes no governo Jair Bolsonaro

Google Earth passa a mostrar desmatamento na Amazônia até 2022
Notícias ao Minuto Brasil

17:15 - 04/04/23 por Folhapress

Tech Desmatamento

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O Google anunciou nesta terça-feira (4) que o Google Earth passou a incluir imagens do avanço do desmatamento na Amazônia até 2022. A atualização da plataforma com dados desde 2020 possibilita acompanhar o avanço da destruição da floresta, que teve índices recordes no governo Jair Bolsonaro.

A gigante da tecnologia também divulgou o lançamento de um sistema de detecção precoce para incêndios, em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e a ampliação dos alertas para inundações, em colaboração com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Os anúncios foram feitos no evento Sustentabilidade com Google - Amazônia, que acontece em Belém (PA).

Com registros de imagens de satélite desde 1984, o Google Earth dispõe de uma ferramenta de timelapse (assista abaixo) que, agora, mostra com detalhes as mudanças ocorridas na cobertura florestal nos últimos dois anos.

O mecanismo utilizado para gerar as imagens, o Google Earth Engine, já é usado por pesquisadores para monitorar o uso de recursos naturais, como no caso da plataforma Mapbiomas. O projeto foi criado em 2019 e realiza mapeamento anual do uso do solo e da superfície de água, além do monitoramento mensal das cicatrizes de fogo.

"Esse tipo de série histórica também é útil para que comunidades locais chamem atenção para os seus problemas", aponta Rebecca Moore, diretora das iniciativas geoespaciais do Google.

Um dos primeiros povos a usar a ferramenta foram os paiter suruís.

"A tecnologia hoje é muito importante para nós, povos indígenas, não só na proteção de territórios, mas também para levar a nossa cosmologia e o nosso entendimento de mundo para outros lugares, que acham que só existe o mundo deles", afirma a ativista Txai Suruí.

Ela diz ainda que voltar os olhares para a floresta ajuda a mostrar que a luta para manter a Amazônia de pé é coletiva e que as respostas para isso estão no conhecimento tradicional. "Se existe um futuro, ele é ancestral."

O histórico de buscas no site mostra o aumento pelo interesse em temas de meio ambiente. Nos últimos dez anos, as buscas no Google pelo termo "Amazônia", por exemplo, subiram mais de 80% no Brasil. No mundo, a alta foi de mais de 40%.

Além disso, "tempo" e "clima" estão entre as dez palavras mais buscadas no país desde o início da série histórica, em 2004.

A pedagoga amapaense Nubia Quilombola explica que o mapeamento feito pelo Google Earth possibilitou apontar exatamente onde estão lacunas e conflitos. "Nós pudemos mostrar: aqui falta escola, aqui morreu quilombola [em disputa] por terra, por exemplo."

"Nós levamos a Universidade Federal do Amapá para ministrar cursos preparatórios para professores e pesquisadores para combater o racismo ambiental", conta. "Só assim a gente percebeu como a falta de vontade do poder público exclui o nosso povo da Amazônia."

Para o novo sistema de detecção de incêndios, será usada inteligência artificial que identifica focos de fogo em estágios iniciais por meio de imagens de satélite. O combate precoce facilita a contenção das queimadas, evitando a liberação de grandes quantidades de CO2 na atmosfera.

O projeto ainda está na fase inicial, de desenvolvimento do modelo, e não há previsão para que entre em vigor.

Já os alertas de inundações, que operam no Brasil desde 2022, foram ampliados e passaram a incluir 27 cidades. O sistema emite avisos em tempo real na página de busca e no Google Maps quando chuvas fortes merecem atenção da população.

A previsão é que a rede seja ampliada para mais 20 municípios ainda no primeiro semestre de 2023.

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