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Fórum para discutir crescimento critica liberalismo de Guedes

O economista da FGV, Nelson Barbosa, afirmou que os efeitos negativos da recessão e a piora no cenário internacional são importantes para explicar porque a economia está parada desde o final da recessão de 2015-2016

Fórum para discutir crescimento critica liberalismo de Guedes
Notícias ao Minuto Brasil

17:00 - 09/09/19 por Folhapress

Economia ECONOMIA-DEBATE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Economistas reunidos no 16º Fórum de Economia organizado pela FGV apresentaram uma proposta de novo desenvolvimentismo em oposição à política econômica liberal representada hoje, principalmente, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. 

O ministro foi convidado, mas não compareceu ao evento, que ocorre nesta segunda-feira (9), em São Paulo.

O economista da FGV Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento no segundo governo Dilma Rousseff (2015-2016) e colunista da Folha de S.Paulo, fez o discurso mais duro contra a política econômica dos últimos três anos.

Barbosa afirmou que os efeitos negativos da própria recessão e a piora no cenário internacional são importantes para explicar porque a economia está parada desde o final da recessão de 2015-2016, mas atribuiu grande parte do problema ao ajuste fiscal promovido desde o governo Michel Temer.

Ele citou também a incerteza institucional e política que afasta investimentos do país, atribuindo a última ao governo Jair Bolsonaro. O ex-ministro disse que o país vive hoje um clima de "keeping up with the Bolsonaros", em referência ao seriado estrelado nos EUA pela família Kardashian.

Afirmou ainda que é necessário flexibilizar as regras de contenção dos gastos públicos para viabilizar investimentos, mesmo que isso seja feito com aumento do endividamento público. Barbosa mostrou cálculos que apontam que o ajuste fiscal tirou 0,7 ponto percentual de crescimento da economia desde meados de 2017. 

Ele questionou também as afirmações de que o ajuste seria suficiente para a recuperação da confiança que faria com que os investimentos privados fossem mais que suficientes para compensar a redução nas despesas públicas. "Você tem uma política fiscal que está puxando a economia para baixo", afirmou o economista. "São três anos. A fada da confiança não chegou. As pessoas até botam a moedinha debaixo do travesseiro", brincou o ex-ministro.

Barbosa questionou ainda uma "milícia do mercado financeiro" que não permite mudanças de estratégia, com a ameaça de que uma revisão do teto de gastos poderia promover uma ataque especulativo e transformar o Brasil em uma Venezuela em apenas 24 horas.

Recentemente, Bolsonaro falou em acabar com o teto de gastos, mas foi convencido por Guedes a manter as regras. O ministro da Economia, no entanto, defende ajustar a regra para permitir o acionamento de gatilhos para conter despesas, medida que faz parte também da proposta de Barbosa.

Para o ex-ministro, é necessária uma nova regra fiscal com meta de gasto corrente, mas excluindo investimentos, e também uma cláusula de ajuste em caso de déficit excessivo. "É como os países bolivarianos da Europa fazem, aquele bando de comunistas", disse Barbosa fazendo uma ironia com o discurso anticomunista do governo Bolsonaro e provocando risos da plateia de economistas, empresários e estudantes.

O economista Yoshiaki Nakano, da FGV, afirmou que o Brasil faz um ajuste fiscal demorado e que não ataca a folha de pagamento do setor público. "Eu vejo como solução fazer um ajuste fiscal muito rápido. Tem de mexer com salário de servidor público, demitir. Enquanto não mexer na folha de salário, a política fiscal não tem credibilidade."

O ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira apresentou uma proposta de Novo Desenvolvimentismo, em substituição ao modelo de liberalismo econômico, com valores cívico liberais e democrático socialistas.Mas afirmou que essa proposta não se confunde com a "política fiscal irresponsável no governo Dilma" e de boa parte da esquerda de "gastar, gastar e gastar".

O economista Demian Fiocca, que foi presidente do BNDES em 2005 e 2006, afirmou que o país viveu uma quebra no mercado de crédito a partir de 2016 promovida pelos bancos públicos, que tirou quase pontos percentuais do PIB nos últimos três anos.

Essa mudança foi motivada por questões de política econômica e também de "apagão das canetas", por conta das ações contra servidores. "Houve uma quebra total na oferta de crédito dos bancos públicos, uma inflexão brutal. Não sei quanto disso é política [econômica] e quanto é o chamado apagão das canetas, por causa de caça às bruxas", afirmou.

Outro ponto defendido pelos economistas presentes ao evento foi uma política de reindustrialização do país. O economista Nelson Marconi, do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimento da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV, apresentou dados que mostram a desindustrialização do país, principalmente nos setores de ponta, como mostrou também estudo da Fiesp divulgado recentemente.

Afirmou ainda que o governo tem feito o diagnóstico equivocado dos motivos da atual crise econômica."Temos uma insuficiência de demanda, e o governo continuar tratando isso como problema de oferta. A gente vai continuar na crise por causa disso."

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