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Militares de Burkina Fasso dizem ter dado golpe e deposto presidente

Um porta-voz dos soldados disse que a Constituição foi suspensa e que o Parlamento e o governo foram dissolvidos

Militares de Burkina Fasso dizem ter dado golpe e deposto presidente
Notícias ao Minuto Brasil

21:24 - 24/01/22 por Folhapress

Mundo Violência

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Militares de Burkina Fasso afirmaram nesta segunda (24) que depuseram o presidente Roch Kabore, no que se desenha como um novo golpe de Estado no continente africano. Em declaração lida na TV estatal, um porta-voz dos soldados disse que a Constituição foi suspensa e que o Parlamento e o governo foram dissolvidos. As fronteiras do país também estão fechadas.

Mais cedo, fontes ligadas à segurança nacional e à diplomacia informaram às agências de notícias Reuters e AFP que Kabore havia sido detido por soldados em um acampamento militar, um dia após intenso tiroteio na residência oficial do mandatário, na capital Uagadugu. Ele teria sobrevivido a uma tentativa de assassinato, de acordo com seu partido, o Movimento Popular para o Progresso.

O país da África Ocidental, com 21 milhões de habitantes, assiste a confrontos contínuos em instalações militares, com soldados exigindo mais apoio na luta contra insurgentes islâmicos. Ao longo dos últimos anos, Burkina Fasso e países vizinhos da região semiárida do Sahel, como o Níger, têm sido assolados por bombas, massacres e sequestros.

O paradeiro exato de ​Kabore, na Presidência desde 2015, ainda é desconhecido. Diversos veículos blindados da frota presidencial cravejados de balas podiam ser vistos perto da residência do presidente na manhã desta segunda, e um deles continha manchas de sangue.

À agência de notícias AFP fontes ligadas à segurança acrescentaram que o chefe do Parlamento do país e alguns ministros também foram detidos por soldados no quartel de Sangoulé Lamizana.

Ainda assim, uma publicação foi feita no perfil oficial do presidente às 14h do horário local (11h em Brasília) para pedir diálogo. "Neste preciso momento, devemos salvaguardar as nossas conquistas democráticas", dizia o texto, que terminava com as iniciais "RK", de Roch Kabore.

O chefe de Estado burquinense enfrentou ondas de protestos ao longo dos últimos meses, em grande parte impulsionadas pela frustração com a incapacidade nacional de conter os insurgentes, muitos membros de grupos terroristas como o Estado Islâmico e a Al Qaeda.

Burkina Fasso é um dos países mais pobres da África Ocidental, ainda que produza ouro. Grupos terroristas controlam partes do país, em especial no norte e no leste, levando a ondas migração e ao esgotamento dos recursos. Dirigidos a civis e militares, os ataques, cada vez mais frequentes, deixaram mais de 2.000 mortos e 1,5 milhão de deslocados internos em quase sete anos.

Um ataque de insurgentes a um posto militar da província de Soum deixou 49 policiais e quatro civis mortos em novembro. Dias depois, descobriu-se que as tropas ali baseadas ficaram sem comida por duas semanas e tiveram de abater animais para se alimentar.

Manifestantes saíram às ruas nesta domingo (23) em apoio ao levante militar e saquearam a sede do partido político de Kabore, o Movimento Popular para o Progresso. O governo, então, decretou toque de recolher durante a madrugada e fechou as escolas por dois dias.

A tensão cresceu à medida de que o presidente Kabore mudou a postura em relação às Forças Militares, em uma tentativa de reprimir a oposição dentro dos quarteis. O governo prendeu 12 soldados por suspeita de conspiração no início deste mês.

Um porta-voz dos soldados disse a repórteres que eles exigem melhores recursos e treinamento para que possam lutar contra o terrorismo, assim como bem-estar para os feridos e suas famílias e a renúncia dos chefes da inteligência do país africano.​
O anúncio proferido na TV estatal nesta segunda era assinado pelo tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba e mencionava um grupo até então inédito, o Movimento Patriótico para Salvaguarda e Restauração (MPSR, na sigla em francês). "O MPSR, que inclui todas as seções do Exército, decidiu encerrar o cargo do presidente Kabore."

O país, que foi uma colônia francesa, conquistou a independência em 1960. A embaixada da França em Burkina Fasso aconselhou seus cidadãos no país a não saírem ao ar livre nesta segunda, informou que as escolas francesas permanecerão fechadas até terça (25) e que dois voos da companhia Air France com destino ao país foram cancelados.

A embaixada brasileira em Burkina Fasso informou, em redes sociais, que está fechada para atendimentos presenciais devido à "situação de instabilidade política e possível tentativa de golpe de Estado". A representação diplomática pediu, ainda, que cidadãos brasileiros no país africano permaneçam em casa nos próximos dias.

A turbulência no país de pouco mais de 274 mil quilômetros quadrados se desenrola em meio a um cenário de aumento do número de golpes de Estado em todo o mundo, com destaque para a África.

Sete tentativas de golpe ocorreram ao longo de 2021, e cinco delas se concretizaram, sendo quatro no continente (Chade, Mali, Guiné e Sudão). Em todos os casos, a falta de legitimidade dos líderes locais pesou na decisão das Forças Armadas de tomarem o poder, e a menor proatividade da comunidade internacional para rechaçar os golpes em meio à pandemia de Covid também teve influência.

A Cedeao (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental), bloco do qual Burkina Fasso faz parte, emitiu comunicado em que manifesta preocupação com a situação política e de segurança do país após o que caracteriza como uma tentativa de golpe de Estado. A comunidade instou os militares a libertarem o presidente e pediu que prezem pelo diálogo e pelo republicanismo.

O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, por meio de um porta-voz, pediu que os líderes do golpe deponham suas armas e garantam a proteção e a integridade física do presidente Roch Kabore e das instituições do país​.

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