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TV Cultura apaga enquete sobre apoio a 'golpe militar' após críticas

Alguns telespectadores lembraram que Vladimir Herzog, diretor de telejornalismo da Cultura nos anos 70, foi torturado e assassinado

TV Cultura apaga enquete sobre apoio a 'golpe militar' após críticas
Notícias ao Minuto Brasil

16:50 - 11/05/18 por Folhapress

Cultura Twitter

O Jornal da Cultura perguntou ao público no Twitter: "Você seria a favor de um golpe militar para frear uma escala de criminalidade?". A enquete, divulgada na última terça-feira (9), gerou tantas críticas entre telespectadores e seguidores que o telejornal recuou e decidiu excluir a publicação.

A enquete foi publicada após o Jornal da Cultura ter exibido uma reportagem sobre uma pesquisa na qual 53,2% dos entrevistados apoiariam um golpe militar se o país estivesse diante de um quadro de muita criminalidade, segundo o Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação.

A enquete no Twitter do telejornal, porém, desagradou tanto seguidores contrários a uma ditadura militar quanto quem é a favor de um regime militar (pelo uso da palavra "golpe").

Alguns telespectadores lembraram que Vladimir Herzog, diretor de telejornalismo da Cultura nos anos 70, foi torturado e assassinado no DOI-Codi (centro de repressão do Exército), em 1975.

"Você apoiaria o regime que fez isso a um grande jornalista funcionário desta casa?", criticou um seguidor com a foto de Herzog enforcado, forjada por militares para encobrir o assassinato. A redação de jornalismo da Cultura, aliás, se chama Vladimir Herzog.

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A enquete chegou a ter 65% de votos a favor do golpe militar, mas o "não" virou para 56%. Após mais de 11 mil votos, a Cultura apagou a enquete e, na última quinta, se retratou também no Twitter.

"Com o objetivo de estender o debate às redes sociais, publicamos durante a transmissão da matéria a pergunta feita pela pesquisa. A enquete sem contextualização abriu espaço para interpretações que em nada representam a intenção da emissora", esclareceu a emissora.

"Repudiamos todo e qualquer discurso que tente justificar a imposição de um regime que ameace os direitos humanos, cientes de que só pelo Estado Democrático de Direito é possível construir uma sociedade justa, igualitária e consciente de um passado que jamais deve se repetir", concluiu. Com informações da Folhapress.

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