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Caixa critica competição pelo 'filé mignon' sobre gestão do FGTS

Caixa critica competição pelo 'filé mignon' em discussão sobre gestão do FGTS

Caixa critica competição pelo 'filé mignon' sobre gestão do FGTS
Notícias ao Minuto Brasil

16:30 - 08/10/19 por Folhapress

Economia CAIXA-FGTS

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta terça-feira (8) que os bancos privados querem apenas competir pelo "filé mignon" ao disputarem com a instituição pública o controle da gestão dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Na última segunda, o jornal O Globo publicou que o relator da medida provisória que muda as regras do FGTS, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), havia indicado no texto que as contas do Fundo continuariam centralizadas na Caixa, que faria a custódia dos depósitos feitos pelos trabalhadores. 

O documento abre caminho, no entanto, para que o monopólio do banco como gestor dos recursos seja quebrado.Com isso, os bancos privados poderiam acessar o dinheiro, que hoje é aplicado em financiamento a projetos de habitação, saneamento e infraestrutura. 

Para Guimarães, se isso ocorrer, as regiões Norte e Nordeste e cidades do interior seriam penalizadas, porque as instituições privadas privilegiariam projetos do Sudeste na alocação de recursos.

"Se tivermos que competir operação por operação, o faremos, mas competição é só então em São Paulo, Belo Horizonte, entorno de Brasília e Rio? Onde você vai ter competição onde já existe a Caixa? Isso é competição?", critica. "Na minha opinião, competição é quando existe competição, e não só quando é o filé mignon".

Em 2019, ele projeta que a Caixa terá lucro de R$ 684 milhões com a gestão dos recursos, apesar de a receita do banco com a taxa de administração (1%) ser muito maior, na faixa de R$ 5 bilhões. "Se nós só fizéssemos [operações] no Sudeste, o lucro seria de R$ 1,5 bilhão. Fizemos essa estimativa. Como fazemos no Brasil inteiro, o lucro cai ao redor de R$ 1 bilhão", diz.

Ele lembra que, embora a Caixa seja o único autorizado a gerir os recursos do FGTS, não é o único agente financeiro que pode operar no programa habitacional federal Minha Casa, Minha Vida.  Segundo o presidente do banco público, a Caixa tem 4,25 milhões das 4,6 milhões de unidades financiadas. 

O Banco do Brasil tem cerca de 300 mil. "Os outros três grandes bancos privados, se tiverem 10 mil, é muito. E não é que sejam proibidos, eles podem. Então a pergunta é: como agente financiador, não existe mais nenhum tipo de monopólio da Caixa Econômica Federal. Por que a Caixa tem mais de 92% das obras como agente financeiro?", questiona.

Guimarães diz ainda que, em 711 municípios, só há atuação de um banco, a própria Caixa. "Como agente operador, como um banco que não está naquela cidade pode ser o agente operador daquela cidade?", complementa.

Em outro ponto, ele rebate a informação de que teria sido o próprio governo o responsável por sugerir a quebra do monopólio da Caixa na gestão dos recursos, conforme afirma o relator da MP 889 também ao Globo. "O governo é o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes. Tem que dar nome", diz. "Eu acho que a gente tem que colocar nomes. Colocou nomes, as pessoas podem falar se falaram ou não falaram".

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