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'Górgona' é coerente com estilo vigoroso de Maria Alice Vergueiro

Ao optar por um caminho heterodoxo para retratar a atriz, diretores se expõem mais aos erros

'Górgona' é coerente com estilo vigoroso de Maria Alice Vergueiro
Notícias ao Minuto Brasil

20:44 - 30/03/18 por Folhapress

Cultura Filme

Havia um jeito bem mais fácil de retratar Maria Alice Vergueiro, uma das grandes atrizes da história do teatro paulista. Com uma carreira de mais de 30 peças e passagens por grupos relevantes, como Oficina e Ornitorrinco, ela poderia ser tema de um documentário afeito às convenções, com dezenas de depoimentos de amigos e fotos antigas. Talvez até se tornasse uma homenagem digna, mas com o efeito de circunscrever o trabalho da atriz ao passado.

Não há nada disso em "Górgona", filme que acaba de entrar em cartaz. Os jovens Fábio Furtado e Pedro Jezler tomam outro rumo, mais ousado e, assim, coerente com o estilo vigoroso e inquieto de Maria Alice.

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Acompanharam a atriz ao longo de cinco anos nos bastidores do espetáculo "As Três Velhas". Furtado e Jezler estão atentos à capacidade dela de conciliar direção e interpretação nessa peça do chileno Alejandro Jodorowsky. Mas não só. Há ainda o fato de que o trabalho tenha se desenvolvido com Maria Alice já na casa dos 80 anos e acometida pela doença de Parkinson.   

Ao optar por um caminho heterodoxo para retratá-la, os diretores se expõem mais aos erros, que não são poucos. Do ponto de vista da fotografia, especialmente na primeira metade, o filme cai em exercícios estéticos inócuos ao mirar ângulos dos bastidores teatrais.

É de se notar ainda uma questão moral. Artista corajosa, que se fortalece continuamente com o humor, Maria Alice não é do tipo que pede piedade em meio à decadência física. Nesse sentido, é um equívoco da direção se estender na cena em que dois homens ajudam a atriz a subir uma escada vagarosamente.      

Mas os acertos prevalecem. Como numa colagem, fragmentos mostram a atmosfera fraterna e, por vezes, sagrada do camarim. Sem um tom de comiseração, outras passagens evidenciam as dificuldades financeiras do teatro alternativo.

Há, sobretudo, um olhar sutil para a devoção da atriz aos palcos e para a sua força dramática. Em várias passagens, paira a dúvida: ela está, de fato, revelando questões muito particulares para a câmera ou interpretando? Essa ambiguidade é um presente para o público de "Górgona".

O nome do filme, aliás, é um achado. Górgonas eram figuras da mitologia grega com ninhos de serpente no lugar dos cabelos. Tinham o poder de transformar em pedra aqueles que as olhassem. Enquanto é maquiada, Maria Alice diz: "Eu entro no teatro e começo a tremer. É impressionante. A serpente entra em mim". Com informações da Folhapress.

Górgona

Classificação: 14 anos

Produção: Brasil, 2016. 77 min

Direção: Pedro Jezler e Fábio Furtado

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