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Flórida terá recontagem de votos para Senado e governador

A decisão foi tomada pelo secretário de Estado local, Ken Detzner, na tarde deste sábado (10), e a nova apuração deve terminar até a próxima quinta (15)

Flórida terá recontagem de votos para Senado e governador
Notícias ao Minuto Brasil

18:30 - 10/11/18 por folhapress

Mundo nova apuração

Os resultados da disputa pelo Senado e para o governo do estado na Flórida serão submetidos a um novo escrutínio após a vitória de candidatos republicanos por menos de 0,5 ponto percentual, ecoando o que ocorreu durante as eleições presidenciais de 2000, quando George W. Bush venceu o democrata Al Gore após uma longa espera pelos resultados do estado.

A decisão foi tomada pelo secretário de Estado local, Ken Detzner, na tarde deste sábado (10), e a nova apuração deve terminar até a próxima quinta (15).

No Senado, o atual governador do estado, Rick Scott, venceu o oponente, o senador Bill Nelson, há 18 anos no cargo, por uma diferença de apenas 0,15 ponto percentual na primeira contagem, ou pouco mais de 12,5 mil votos. Já na corrida para o governo estadual, Ron DeSantis derrotou o prefeito de Tallahassee, Andrew Gillum por 0,41 ponto percentual, o que representa em torno de 33,6 mil votos.

Na Flórida, quando a margem de diferença entre os candidatos é de 0,5 ponto percentual ou menos, uma máquina fica encarregada de fazer a recontagem de todos os votos. Se a nova recontagem indicar uma margem de 0,25 ponto ou menos, um novo escrutínio será feito de forma manual.

A disputa acirrada nas eleições do dia 6 de novembro levou a uma batalha entre democratas, que, em desvantagem, vinham insistindo por uma nova contagem, e republicanos, que acusaram funcionários eleitorais de corrupção.

Populoso "estado-pêndulo" (nome dado àqueles que muda de preferência partidária a cada pleito), a Flórida é um dos definidores nas disputas presidenciais nos EUA, país onde a eleição se dá em um colégio eleitoral. No colégio eleitoral, cada estado tem um número de votos que acompanha o tamanho de sua população e que entrega ao candidato que conquistar a preferência local.

O presidente Donald Trump entrou na briga. "Rick Scott estava com vantagem de mais de 50 mil votos no dia da eleição, agora eles 'acharam' vários votos e ele está agora na frente por apenas 15 mil votos", escreveu em uma rede social nesta sexta (9). "Por que eles nunca acham votos republicanos?"

As apurações nos Estados Unidos podem durar dias, dependendo do estado. Isso porque os sistemas de votação e forma de contagem de votos variam entre os lugares.

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Após a oficialização do pedido de recontagem, Trump acusou oponentes de tentarem "roubar duas grandes eleições na Flórida": "Nós estamos acompanhando de perto!", acrescentou.

A retórica do presidente destoa da adotada no dia da eleição, quando classificou de "incríveis" as vitórias do partido e não falou em fraude. Os republicanos perderam a maioria das cadeiras da Câmara dos Representantes para os democratas, mas mantiveram o controle do Senado, onde ficaram com 53 das 100 cadeiras – mesmo com uma eventual reversão do resultado na Flórida, eles não perderiam a maioria.

Scott também aderiu ao discurso de fraude em pronunciamento realizado na quinta (8) e pediu que agentes do estado investigassem o caso. Ele foi acusado por seu oponente de usar seu poder como governador para garantir a sua vitória no Senado.

Neste sábado (10), o departamento de Estado da Flórida afirmou, por meio de comunicado, que não havia encontrado evidências de atividades criminais no pleito.

No mesmo dia, membros da campanha de Scott entraram com ações contra supervisores eleitorais nos condados de Broward e Palm Beach, acusando-os de terem violado leis eleitorais ao não serem transparentes em relação ao processo de votação e exigindo o acesso aos registros de votos.

Os candidatos democratas tiveram uma performance melhor do que os adversários nos dois condados, que tendem a ser mais "azuis" (a cor que identifica o partido, em oposição ao vermelho dos republicanos).

Integrantes da campanha de Nelson apresentaram uma moção em uma corte federal solicitando que os votos em cédulas provisórias (medida adotada quando há dúvidas sobre a elegibilidade de um eleitor) e aqueles enviados de forma antecipada não fossem rejeitados. Esses eram os votos que faltavam ser analisados para que as apurações fossem encerradas neste sábado (10).

Isso poderia acontecer caso funcionários eleitorais considerem que há discrepâncias entre a assinatura registrada no sistema eleitoral e a escrita no ato da votação.

Os condados de Broward e Palm Beach estiveram no centro de uma controvérsia envolvendo contagem de votos nas eleições presidenciais de 2000, quando a vitória de George W. Bush contra o democrata Al Gore demorou semanas para ser oficializada.

O episódio abriu caminho para debates sobre a modernização de sistemas de votação e de contagem de votos –no centro da controvérsia, estava a performance das máquinas que perfuram a cédula ao lado do nome do candidato escolhido. O papel, então, é depositado em uma urna. Seu uso não é mais permitido em eleições para a esfera federal. Com informações da Folhapress.

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