Meteorologia

  • 18 DEZEMBRO 2018
Tempo
15º
MIN 15º MÁX 15º

Edição

Candidatas que não receberam voto não sabiam que concorriam

De 24 candidaturas sem votos, 21 são mulheres. Lei eleitoral obriga que cada partido ou coligação lance ao menos 30% de candidaturas de cada sexo para deputado

Candidatas que não receberam voto não sabiam que concorriam
Notícias ao Minuto Brasil

21:06 - 13/10/18 por Notícias Ao Minuto

Política eleições 2018

Ao todo, 24 candidatos inscritos nas eleições deste ano não receberam nenhum voto. Do total, 21 são mulheres. Três delas - Renata Dama (PMB-RR), Wandna da Silva (PRP-RR) e Mariely Sena (PTC-AP) - afirmam que sequer sabiam da candidatura.

Renata Dama disse ao 'G1' que ficou sabendo da sua candidatura por meio de uma amiga, que viu o nome dela no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Uma pessoa [do partido] veio até a mim perguntando se eu era filiada e eu disse que era, e essa pessoa me falou que precisava completar 'X' número do sexo feminino para completar a legenda (...) Perguntei se eu iria concorrer, e me disseram que eu não ia concorrer, que eu só ia completar a inscrição" (...) Não chegaram em mim dizendo: 'olha, você vai ser candidata", contou Renata.

Ela disse ainda que abriu uma conta corrente no banco e tirou foto, que são exigências para a candidatura, mas não sabia que estava na disputa. "A princípio, não era pra eu concorrer. Fiz a inscrição, mas não… Na realidade, fui enganada." A candidata disse que vai se desfiliar do partido.

Consultada pelo site, a presidente do PMB em Roraima, Sandra Santos, admitiu que a sigla buscou mulheres filiadas para que elas se candidatassem, mas afirmou que todas sabiam o que estava sendo feito e que não são candidatas "laranjas", lançadas para cumprir a cota feminina no partido. Ainda segundo Sandra, o PMB não financiou as campanhas, mas deu santinhos a quem solicitou.

+ Haddad admite que faltou controle de estatais durante governos do PT

Já Wandna da Silva, que foi cadastrada na urna como Wandna do Santa Cecília, negou candidatura a deputada estadual e afirmou que vai procurar a legenda. "Eu me filiei só ao partido. Eu não saí como candidata. Pra mim estava só como se eu tivesse filiada, por isso que votei em outra pessoa", disse ela.

O PRP em Roraima não respondeu às tentativas de contato.

A terceira candidata que falou com o 'G1', Mariely, também afirma que não sabia que concorria ao cargo de deputada estadual:

"Até no momento eu queria vir pra deputada estadual, só que eu não tive recurso para arcar com os materiais da campanha. Aí o partido ficou de me passar um dinheiro, mas eu não tive acesso, por isso que no último instante não houve material de campanha. Até você pode ver a foto, que não tem número, aí não teve como eu vir fazer campanha e conquistar votos, porque eu moro no Pracuúba e pra cá é bem distante de Macapá. Até aí foi me repassado isso, que deu problema no comprovante de residência. Só isso que posso lhe informar".

A direção do PTC no Amapá também foi procurada, mas não se pronunciou.

O maior número de candidaturas sem votos é do Amapá (6); seguido de Acre e Roraima (5 candidatos cada); Rondônia (3); Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro (1). Todos disputaram vagas nas assembleias legislativas.

Lei

A legislação eleitoral obriga que cada partido ou coligação lance ao menos 30% de candidaturas de cada sexo para o cargo de deputado. O objetivo da regra é aumentar a participação feminina na política.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são cinco em cada dez eleitores, mas apenas 3 em cada 10 candidatos.

Nas últimas eleições federais, em 2016, as candidaturas de mulheres com zero voto foram investigadas. Quando é comprovada fraude, todas as candidaturas envolvidos nas chapas devem ser cassadas.

Seja sempre o primeiro a saber. Baixe o nosso aplicativo gratuito.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório