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Maioria dos europeus fica aquém da meta em vacinação dos 80+

De acordo com números do ECDC (centro europeu de controle de doenças), na média, 60% dos 80+ receberam uma dose de vacina na UE, e 36,5% tomaram também a segunda dose

Maioria dos europeus fica aquém da meta em vacinação dos 80+
Notícias ao Minuto Brasil

13:41 - 06/04/21 por Folhapress

Mundo EUROPA-VACINAÇÃO

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - A grande maioria dos países da União Europeia chegou ao fim do primeiro trimestre longe da meta de imunizar ao menos 80% dos profissionais de saúde e dos habitantes com 80 anos de idade ou mais -grupos mais expostos aos riscos da Covid-19.

De acordo com números do ECDC (centro europeu de controle de doenças), na média, 60% dos 80+ receberam uma dose de vacina na UE, e 36,5% tomaram também a segunda dose. Até o final de março apenas 5 membros ultrapassaram os 80%: Malta, Irlanda, Suécia, Finlândia e Portugal.

Na Bulgária, membro mais pobre do bloco e onde a imunização avança mais lentamente, só 5% dos mais idosos receberam uma injeção até o final de março

Como comparação, no Reino Unido, país europeu mais avançado na vacinação, mais de 99% dos que tem a partir de 80 anos já receberam uma dose e metade deles recebeu também a segunda, de acordo com o ONS (departamento nacional de estatísticas).

Proteger as faixas etárias maiores é fundamental para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde, porque entre eles a porcentagem dos que desenvolvem doenças graves é muito maior. É também nesse grupo que a Covid-19 causa proporcionalmente mais mortes.

Em relação aos profissionais de saúde, é difícil avaliar com precisão o desempenho da UE, porque só 12 países forneceram dados. Na média, 47,5% dos médicos e enfermeiros foram protegidos, e só quatro países ultrapassaram a meta de 80%: Hungria, Estônia, Romênia e Espanha.

Embora a Comissão Europeia (Poder Executivo do bloco) esteja no centro da berlinda –acusada de fracassar na entrega de vacinas a seus membros em número e ritmo suficientes–, a responsabilidade por fazer as doses chegarem aos braços da população é dos Estados nacionais, e nesse trajeto estão os maiores obstáculos.

Os dados do ECDC mostram que, na grande maioria dos países, ao menos 1 em cada 5 doses recebidas ainda está nos estoques -na Bulgária, na Holanda e em Luxemburgo, a parcela chega a 1 em cada 3. Em parte essa "sobra" de vacinas se deve também à intenção de manter uma reserva para a segunda dose.

O cuidado se explica por causa dos sucessivos cortes nas remessas, principalmente da AstraZeneca. No primeiro trimestre, dos 90 milhões prometidos pela empresa, só 30 milhões foram despachados.

No total, porém, com o aumento de produção da Pfizer/BioNTech, mais de 90 milhões de doses de imunizantes foram distribuídos aos membros da UE, dos quais menos de 75 milhões foram injetados.

No começo do ano, logo após as aprovações de vacinas pela EMA (agência regulatória europeia), vários países patinaram para organizar o armazenamento, transporte e distribuição das ampolas, principalmente do imunizante da Pfizer, que exige ultracongelamento.

Como ele dura poucos dias em geladeiras comuns, cresce o risco de desperdício se o cálculo de quantas devem ser enviadas para cada local não for preciso. O problema ocorreu na Bélgica, por exemplo, onde centros de imunização chegaram a ficar vazios por erro de planejamento.

Na última semana, governos regionais belgas criaram um cadastro para interessados em tomar à noite as doses que tivessem sobrado durante o dia -50 mil pessoas acessaram o site assim que ele começou a funcionar e outras 20 mil passaram a noite conectadas tentando conseguir uma senha.

Mesmo países que se planejaram com meses de antecedência acabaram atrasados por decisões próprias.

Na Dinamarca, por exemplo, o governo tem o controle preciso de que dose de que vacina será dada para qual residente, em que centro e em que horário –e isso vinha lhe garantindo a dianteira na vacinação na UE.

Mas no final do trimestre o país escandinavo caíra para a décima posição, entre outros motivos porque suspendeu o uso do produto da AstraZeneca mais de uma vez, primeiro por considerar que faltavam dados sobre o efeito em idosos, e depois para investigar efeitos colaterais.

Essa segunda paralisação ocorreu no mês passado, após relatos de acidentes vasculares raros em europeus que receberam o imunizante da AstraZeneca. Dos 21 membros que suspenderam a vacina, 19 retomaram sua aplicação –alguns apenas para os mais jovens–, mas Dinamarca e Noruega continuam sem administrá-la.

A Comissão Europeia afirma que a situação deve mudar no segundo semestre, com a entrega de 300 milhões de doses, mais que o triplo do recebido de janeiro a março. Como 55 milhões foram comprados da Janssen, que exige apenas uma dose, esse total permitiria proteger 185 milhões de pessoas.

Se os planos se concretizarem, o bloco europeu chegaria ao final do primeiro semestre com 235 milhões de habitantes totalmente vacinados, pouco mais da metade da população adulta da UE, segundo estimativas. O cálculo leva em conta encomendas dos quatro produtos já aprovados: AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Janssen.

Faltaria ainda imunizar quase 80 milhões para atingir a meta de 70% dos adultos protegidos até o final do verão -número que, acredita-se, daria mais segurança para retomar as atividades sem realimentar o contágio e sobrecarregar os hospitais.

Isso vai exigir um esforço extra dos países para montar uma rede de inoculação -diferentemente do que ocorre em nações em desenvolvimento, como o Brasil, vários europeus não têm uma estrutura montada para campanhas de imunização em massa.

Na Alemanha, maior economia da Europa, só nesta semana, três meses depois de iniciada a vacinação, as doses passarão a ser aplicadas também nas 35 mil clínicas gerais do país.

O país se preocupa com o ceticismo da relação em relação às vacinas, principalmente após as informações inconclusivas, e às vezes conflitantes, em relação à AstraZeneca.

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