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Trump impõe limites a perguntas de jornalistas que atuam na Casa Branca

O caráter da medida, descrito por autoritário por jornalistas americanos, preocupa especialistas em mídia

Trump impõe limites a perguntas de jornalistas que atuam na Casa Branca
Notícias ao Minuto Brasil

21:19 - 20/11/18 por Folhapress

Mundo autoritário

Uma pergunta por jornalista. Novos questionamentos só mediante a aprovação do presidente ou de funcionários do governo. E quem não obedecer se arrisca a ter a credencial que dá acesso à Casa Branca suspensa ou mesmo revogada.

Essas são as novas regras para entrevistas coletivas oficiais anunciadas na segunda-feira (19) pela gestão de Donald Trump, criadas após a contenda entre o republicano e o repórter da CNN Jim Acosta no início de novembro.

O caráter da medida, descrito por autoritário por jornalistas americanos, preocupa especialistas em mídia, que a veem como forma de intimidar jornalistas críticos.

Não há precedentes na história recente dos Estados Unidos de regras para entrevistas como as criadas pela atual administração, segundo Will Youmans, professor de mídia e relações públicas da Universidade George Washington.

"Presidentes anteriores se baseavam mais em convenções sociais e entendimentos", diz.

Para ele, o regulamento é vago e pode abrir caminho para uma punição seletiva de jornalistas. Ou seja, os mais críticos à presidência seriam repreendidos, enquanto aqueles que se mostrassem mais benevolentes receberiam um tratamento diferenciado.

O fim da possibilidade de contestar as respostas dadas pelo entrevistado é o que mais preocupa Gabe Rottman, um dos diretores do Comitê de Repórteres pela Liberdade de Imprensa, organização sediada em Washington.

"Repórteres sempre fazem mais de uma pergunta, é da natureza do seu trabalho cavar mais fundo", diz. "Trata-se de uma clara tentativa de intimidar os profissionais para que não façam perguntas duras."

Rottman afirma que a entidade vai monitorar de perto a implementação das novas regras para que a liberdade de imprensa não seja minada.

O diretor do projeto de Expressão, Privacidade e Tecnologia da ACLU (American Civil Liberties Union), Ben Wizner, afirmou em nota que as regras deveriam ser revisadas para que "nenhum jornalista seja chutado para fora da Casa Branca por fazer o seu trabalho".

"A Casa Branca pertence ao público, não ao presidente, e o trabalho da imprensa é fazer perguntas difíceis, não ser uma companhia educada."

A criação do código de conduta foi anunciada por Trump na última sexta. Na ocasião, disse que "as pessoas vão ter que se comportar" e que "é preciso agir com respeito" ao lidar com autoridades.

A secretária de imprensa do governo, Sarah Sanders, afirmou que as regras foram criadas com certo "grau de arrependimento".

"Preferíamos continuar a realizar as entrevistas coletivas da Casa Branca com base em um conjunto de normas profissionais tácitas", afirmou.

"Mas, dada a posição tomada pela CNN, nós nos sentimos agora obrigados a substituir práticas compartilhadas anteriores por regras explícitas."

Sanders tampouco descarta a possibilidade de que novas regras sejam criadas para guiar a atitude de profissionais em áreas específicas da sede do governo, como o jardim.

Trump e Acosta discutiram durante uma entrevista coletiva realizada em 7 de novembro, um dia após as eleições legislativas. O jornalista despertou a fúria presidencial ao insistir na caravana de migrantes da América Central.

O episódio resultou na suspensão da credencial de Acosta que dá acesso à residência presidencial. A justificativa da gestão foi de que ele tocou de forma agressiva em uma auxiliar que tentava tirar o microfone de sua mão e que agiu de forma desrespeitosa com os colegas ao não ceder a vez.

O passe foi recuperado na segunda, após alguns dias de batalha judicial entre a CNN e a Casa Branca.

No Brasil, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, já encerrou subitamente entrevistas ao receber perguntas que considerou inadequadas e concedeu coletivas excluindo veículos, entre eles a Folha de S.Paulo.

Ele também disse que cortaria verba de publicidade oficial do governo e de empresas estatais de veículos que critiquem o governo e citou a Folha como exemplo. Com informações da Folhapress. 

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